A 16° edição, de 2019, tem como objetivo difundir o repertório de Choros compostos  Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Embora não seja comumente lembrado nas homenagens ao Choro brasileiro, compete à proposta do Festival ChorandoSemParar revelar ao público trabalhos menos conhecidos de grandes compositores brasileiros. 

Sobre compositor Luiz Gonzaga. - Nascido na cidade de Exu, Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912, o músico veio a falecer em 2 de agosto de 1989. O ano de 2019 marcará os 107 anos de seu nascimento e 30 anos de sua morte. Consagrado como o Rei do Baião, Gonzaga cresceu no sertão nordestino e conviveu com as músicas tradicionais da região ao frequentar as festas religiosas, casamentos e forrós, todos animados com bandas de pífanos, zabumba, concertina, além da sanfona, muitas vezes tocada por seu próprio pai, Januário. Em 1939, após dez anos servindo o exército brasileiro, embarcou para o Rio de Janeiro onde conheceu o violonista Xavier Pinheiro que depois lhe apresentaria para Antenógenes Silva, o mais famoso acordeonista da época e futuro professor de Luiz Gonzaga. Tocou durante algum tempo em bares no Mangue e na Lapa, onde conheceu  estudantes cearenses que, saudosos da terra natal, lhe pediram para tocar alguma coisa nordestina, coisa que até então não costumavam fazer buscando se adaptar à vida e à cultura carioca. Preparou, então, as músicas “Pé de serra” e Vira e mexe” e o sucesso foi imediato. A partir desse momento Luiz Gonzaga passou a incluir os elementos de sua tradição, valorizar a cultura nordestina em suas composições e buscar a expressão do sertão em meio à urbanidade da época. Antes de ter se lançado na popularização do gênero que tanto influenciou a música popular brasileira, o baião, e de ter também se lançado como cantor, Luiz Gonzaga aprendeu inúmeros ritmos e gêneros que eram famosos no Rio de Janeiro dos anos 1940. Foi nessa época, portanto, momento áureo do Choro brasileiro, que Luiz Gonzaga desenvolveu muitas de suas composições instrumentais. Luiz Gonzaga deu voz e expressão à sua cultura. 

No caso de Luiz Gonzaga além de ter sido consagrado por suas interpretações inspiradas nos gêneros musicais do Nordeste, também foi compositor de uma obra instrumental e de outros gêneros, muito valiosa. Antes de ter popularizado o baião e ter mudado a visão sobre a música popular brasileira, Luiz Gonzaga aprendeu inúmeros ritmos que eram famosos no Rio de Janeiro dos anos 1940. Assim, Luiz Gonzaga possui uma vertente menos conhecida. Antes de se tornar cantor e Rei do Baião, explorou a música instrumental, em especial o Choro, firmando-se como um virtuoso compositor. Introduziu o som da sanfona no meio Chorão, aproximou o gênero tipicamente urbano dos sons de sua infância no sertão nordestino e influenciou vários nomes do Choro brasileiro como Chiquinho do Acordeon, Orlando Silveira, Duda da Passira, Noca do Acordeon, o multi-instrumentista Sivuca e Hermeto Pascoal, entre outros. 

O jornalista e ensaísta Fernando Gasparini, no livro “Luiz Gonzaga: Tem Sanfona no Choro” (2012), organizado por Marcelo Caldi, destaca a conexão entre o Choro na produção de Gonzaga e pontua o ambiente criativo da época que o aproximou de grandes músicos Chorões, como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Dino 7 Cordas, Meira, entre outros. De tal modo o encontro do sanfoneiro com o choro carioca pode ter contribuído para a constituição do baião. Segundo Gasparini o Choro foi o “portal sonoro que ofereceu as condições para Luiz Gonzaga desenvolver e expressar a sua genialidade”. Nesse sentido, na larga trajetória musical de Luiz Gonzaga, que gravou ao menos 266 discos, há também a importante e menos conhecida fase de composição das suas músicas instrumentais em que é perceptível a influência do Choro carioca, como nas músicas “Pingo namorando” (1944), “Caxangá” (1945), “Sabido” (1946), “Cata milho na festa” (1952), entre outras. Não à toa o bandolinista Hamilton de Holanda usou o termo “Chorão do Nordeste” ao se referir a Luiz Gonzaga. De fato, muitos entendem o baião enquanto um “choro regional” visto que a composição de Gonzaga antes de limitar-se a um gênero transita entre os ritmos do maxixe, do baião e do choro. Percebe-se, cada vez mais, a multiplicidade e o refinamento das composições instrumentais de Luiz Gonzaga. A herança cultural do Rei do Baião, portanto, continua a se expandir e a conquistar novos admiradores. Daí a importância da difusão dos choros, valsas, polcas, xamegos e mazurcas pouco ou nada conhecidos do grande público e que, reunidos na obra de Caldi, lançam luz na originalidade e no valor histórico da face instrumental de Luiz Gonzaga. 

Dessa forma, Festival Internacional de Música Instrumental Brasileira, ChorandoSemParar, reserva grande espaço para difusão do Choro e em 2019 reitera esse objetivo e mostra aspectos relevantes e desconhecidos do grande público e que são de grande importância na história de nossa música instrumental e na trajetória do compositor Luiz Gonzaga. 

Além disso, a proposta do Festival considera de grande importância a confraternização musical e humana entre os participantes. Ao mesmo tempo que os convidados estrangeiros se interessam em conhecer mais profundamente os nossos compositores e preparam arranjos exclusivos de obras brasileiras para a programação do evento, serão bem-vindas algumas interpretações de livre escolha dos convidados, brasileiras ou não, desde que compatíveis com a proposta do festival.