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Maurício Carrilho

Desde sua estréia profissional em 1977, no disco Os Carioquinhas no Choro, do grupo Os Carioquinhas, Mauricio Carrilho vem se dedicando à preservação e desenvolvimento da música brasileira. Sua atuação como violonista (de 6 e 7 cordas) e arranjador é há muito conhecida do público, graças a seus numerosos trabalhos ao lado de ícones como Elizeth Cardoso, Chico Buarque, Francis Hime, Paulo Cesar Pinheiro e tantos outros. Além disso, é intensa sua atuação em grupos instrumentais como a Camerata Carioca, nos anos 70, que teve como mentor ninguém menos que Radamés Gnattali, O Trio, pequena usina de grandes sons que montou na década de 90 juntamente com Pedro Amorim (bandolim) e Paulo Sérgio Santos (clarinete), Sexteto Mauricio Carrilho, grupo especializado em tocar sua produção de compositor, Trio Carioca, com Paulo Aragão (violão) e Pedro Paes (clarinete), e Caldereta Carioca, octeto de ilustres – Naomi Kumamoto na flauta, Pedro Paes no clarinete, Rui Alvim no clarone, Marcílio Lopes no bandolim, Jayme Vignoli no cavaquinho, Oscar Bolão na percussão, Paulo Aragão e Mauricio Carrilho nos violões – que se dedica a repertórios e projetos pouco ortodoxos. Entretanto, apenas no final do século XX começaram a vir à tona duas outras facetas dessa personalidade tão impregnada de música (nem é pra menos: Mauricio é filho e sobrinho de dois grandes flautistas e compositores, Alvaro e Altamiro Carrilho; além disso teve aulas de violão desde a infância com os mestres Meira e Dino 7 Cordas): a de pesquisador e a de compositor. A pesquisa tem como objeto principal a música brasileira que formou bases para gêneros populares urbanos — em especial o choro. Ou seja, a obra de compositores nascidos entre 1850 e 1880, absolutamente desconhecidos em sua esmagadora maioria, exceções feitas a um Ernesto Nazareth, a uma Chiquinha Gonzaga, um Joaquim Callado. Essa pesquisa resultou em duas coleções fonográficas absolutamente fundamentais para o entendimento da história da música popular no Brasil: Princípios do Choro (15 CDs, lançada em 2002) e Choro Carioca: Música do Brasil (9 CDs, lançada em 2006). O lado compositor aflorou aos poucos. Em 1985 lançou um disco independente ao lado do violonista João de Aquino em que mostrava algumas composições próprias. Esse LP, entretanto, não teve maior repercussão e hoje em dia é uma raridade. Nos anos seguintes, apenas pequenas “pílulas” de seu talento de compositor foram reveladas, gravadas por intérpretes como Nara Leão, Miúcha, Ithamara Koorax, Lisa Ono, Ana de Hollanda, Pedro Miranda, Marcos Sacramento, Teca Calazans e Mônica Salmaso. A atividade musical de Mauricio continuou intensa, até que em 2000, tendo fundado um ano antes, ao lado de Luciana Rabello e João Carino, a Acari Records (primeira e única gravadora especializada em choro), lançou por esse selo seu primeiro CD solo, intitulado Mauricio Carrilho. Depois disso, ficou difícil pôr um freio em sua atividade como compositor. Mauricio lançou em 2004 outro disco só de composições próprias, Sexteto + 2, ao lado do Sexteto Mauricio Carrilho. Em 2007 veio Choro Ímpar, trabalho inovador só com composições feitas em compassos ímpares. Em 2005 impôs-se um desafio digno de poucos artistas: compor uma música por dia, durante um ano. Com muita disposição e disciplina, Mauricio criou assim o Anuário do Choro, com centenas de choros, polcas, maxixes, valsas, schottischs etc. Em 2009, 2013 e 2017 repetiu a dose, criando mais três anuários. Sua produção de compositor, só nos anos de 2005, 2009, 2013 e 2017, soma 1635 músicas. Transbordando de idéias em seu fazer musical, Mauricio compôs, em 2004, sob encomenda, a primeira Suíte para Violão 7 Cordas e Orquestra Sinfônica da história, peça aclamada por público e crítica, que desde então vem sendo constantemente executado por orquestras no Brasil e no exterior, tendo como solista o violonista Yamandu Costa (que teve seu primeiro disco solo produzido por Mauricio Carrilho). Em 2009 teve seu Septeto Brasileiro gravado em DVD, interpretado por Daniel Guedes (violino), Hugo Pilger (violoncello) e o célebre Quinteto Villa-Lobos.  Em 2011 o Quarteto Radamés Gnattali com Zé Paulo Becker gravaram Estação Mangueira, peça para violão e quarteto de cordas. Sempre preocupado com a difusão e disseminação da música brasileira, Mauricio é fundador, coordenador e professor da Escola Portátil de Música, projeto de educação musical através da linguagem do choro que começou como simples oficina em 2000 e desde então trilha um caminho de crescente sucesso. Hoje em dia a Escola Portátil tem 28 professores que atende cerca de 850 alunos. Mauricio é responsável pelas turmas de composição, arranjo, violão avançado e produção fonográfica. Anualmente, a Escola Portátil se desdobra no Festival Nacional de Choro, evento que reúne, durante uma semana, músicos profissionais e amadores para um mergulho profundo no universo do choro. Ao mesmo tempo, Mauricio é vice-presidente do Instituto Casa do Choro, instituição que tem como principal objetivo o registro e a preservação de acervos e da memória da música popular carioca, em especial o choro.